Artigo de opinião sobre Esmeralda Cor-de-Rosa

João de Barros (parecer sobre Esmeralda Cor-de-Rosa)

Após ter vindo a percorrer há uns bons anos, diga-se que com reconhecido sucesso, o caminho das artes plásticas, quer através do desenho, quer pelo estilo muito próprio, e não menos invulgar, de pintura, Carlos Reys mergulha agora no complexo e ingrato universo da literatura. E não se fica por pouco: abalança-se, logo para começar, com “Esmeralda Cor-de-Rosa”, um romance recheado de personagens muito interessantes cujas vivências se entrelaçam num curioso e admirável enredo ficcionista que surpreende, entusiasma e seduz. Frase-a-frase; parágrafo-a-parágrafo; capítulo-a-capítulo, o leitor é preso por uma narrativa de compreensão simples – mas não simplista – no afã de desvendar qual virá a ser na verdade o destino de Sara, de estranhos olhos verde-esmeralda, e a sua interdependência com o padrinho o erudito e magnânimo Guilherme Esteves. A sensual e provocante Esmeralda Cor-de-Rosa segue o percurso e tem o fim igual ao de muitas das mulheres que adoptam para si um modo de vida semelhante. À sua maneira, foi feliz…

No romance – que afinal perpassa temporalmente as três repúblicas portuguesas – o autor aflora ainda as mutações políticas e sociais que nesse período ocorrem no País, na Europa e no Mundo, assim como lembra que as vidas têm também o seu lado de felicidade, sensualidade – por vezes descrita numa vernácula e atrevida linguagem – e, sobretudo, bastante amor em todas as dimensões e vertentes da espécie humana. É, em suma, uma história ficcional repleta de tantas estórias, que nos relatam sonhos desfeitos, outros concretizados; é um livro cuja aliciante leitura, sem favor, se recomenda.

Carlos Reys é meu conterrâneo, foi meu vizinho próximo, brincámos e crescemos juntos, estudámos, ainda que em áreas diversas, no mesmo estabelecimento escolar, mas nos finais dos anos cinquenta seguimos diferentes caminhos. Estivemos mais de cinquenta anos sem nos vermos. Sem grande surpresa, aparece-me agora o meu bom e velho amigo com este novo empreendimento – o da escrita –, e digo sem surpresa porque já de muito novo o Carlos, dentre todos nós, seus vizinhos e companheiros, era o que mais revelava certa desenvoltura e inclinação descritiva. Aí está o resultado!

Todavia, o cometimento cria-lhe a partir de agora uma outra grande responsabilidade: a de não se ficar por aqui. Por isso, quedamo-nos todos à espera de novo projecto.

São estas as simples e modestas palavras que, com um afectuoso abraço deixo ao Carlos como autor do seu curioso e atractivo romance “Esmeralda Cor-de-Rosa”.

João de Barros

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